Meu filho adolescente não quer terapia: o que fazer
Forçar pode fechar a porta. Mas desistir também não ajuda. Veja como conversar e construir a busca por terapia com o adolescente.
Quando os pais percebem que o filho precisa de ajuda, a resistência pode parecer uma afronta. Mas a recusa do adolescente costuma ter motivos: medo de ser julgado, de perder privacidade, de ser visto como “o problema” ou de não ter controle sobre o que vai acontecer.
Forçar pode até levar o jovem à primeira sessão, mas dificilmente constrói vínculo. O objetivo não é vencer a discussão; é abrir uma porta.
Comece pela escuta
Antes de falar em terapia, tente entender o que o adolescente pensa sobre isso. Pergunte sem interrogatório:
- “o que te incomoda na ideia de ir?”
- “o que você acha que vai acontecer lá?”
- “tem alguma coisa que você gostaria que fosse diferente?”
Validar o medo não é concordar com a recusa. É mostrar que você está ouvindo.
Explique o que é a terapia
Muitos adolescentes imaginam que a terapia é um lugar onde vão ser analisados, corrigidos ou obrigados a falar. Explique que é um espaço de conversa, com sigilo, em que ele pode falar no ritmo dele.
Também deixe claro que a terapia não é uma punição por mau comportamento e que o terapeuta não vai funcionar como um fiscal dos pais.
Ofereça escolhas possíveis
Autonomia ajuda a reduzir a resistência. O jovem pode participar da escolha do profissional, do horário e do formato. Pode começar com uma conversa inicial, sem compromisso de continuar.
Se ele aceitar apenas uma sessão, respeite. Uma sessão já é um começo.
Cuide do vínculo
Se o adolescente sente que a terapia é uma forma de os pais provarem que ele está errado, ele vai se fechar. Evite frases como “você precisa se tratar” ou “o problema é você”.
Em vez disso: “eu percebo que você está sofrendo e quero te ajudar a encontrar um apoio. Não é sobre te consertar”.
E se ele continuar recusando?
Continue oferecendo apoio, mantenha a porta aberta e busque orientação para os adultos. Em situações de risco — automutilação, uso de drogas, violência, ideias de morte —, a proteção precisa vir primeiro, mesmo que o jovem não concorde.
Nesses casos, procure atendimento de urgência e apoio profissional. O CVV atende pelo 188, 24 horas por dia.