Pensamentos suicidas: como pedir ajuda e apoiar alguém
Falar sobre pensamentos suicidas não aumenta o risco. Pelo contrário: pode abrir espaço para ajuda. Saiba como acolher e onde buscar apoio.
Pensamentos suicidas são mais comuns do que se imagina, e muitas pessoas sentem vergonha de falar sobre eles. O silêncio, porém, costuma aumentar o sofrimento. Falar sobre o que se sente, com alguém de confiança e com profissionais, pode abrir caminho para ajuda.
Este texto não substitui atendimento. Se você está em perigo imediato, ligue para o serviço de emergência (192 ou 190). Para apoio emocional, o CVV atende pelo 188, 24 horas por dia.
Se você está pensando em se machucar
Você não precisa dar conta sozinho. Procure alguém de confiança e diga como está. Se não conseguir falar, escreva, mande mensagem ou vá até um serviço de saúde.
Algumas atitudes que podem ajudar no momento:
- afastar-se de objetos que possam ser usados para se machucar;
- não ficar sozinho;
- buscar um lugar seguro;
- ligar para o CVV (188);
- ir a um pronto atendimento ou ligar para emergência se o risco for imediato.
Não é preciso ter certeza do que dizer. Basta começar: “eu não estou bem e preciso de ajuda”.
Se alguém está pensando em se matar
Perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas não incentiva a pessoa a se matar. Pelo contrário: mostra que ela pode falar sem ser julgada.
Você pode perguntar: “você está pensando em se machucar ou em morrer?”. Escute sem interromper, sem minimizar e sem prometer segredo absoluto quando há risco.
Evite frases como “isso é falta de fé”, “tem gente pior” ou “você não pode fazer isso comigo”. Elas aumentam a culpa.
O que ajuda de verdade
- permanecer por perto e demonstrar cuidado;
- ajudar a pessoa a contatar um profissional ou serviço de saúde;
- reduzir o acesso a meios de se machucar, quando possível;
- não deixar a pessoa sozinha em momento de crise;
- cuidar de você também e buscar orientação.
Fatores de proteção
Vínculos de confiança, tratamento de saúde, sentido de pertencimento, apoio da família e da comunidade e capacidade de pedir ajuda são fatores importantes. A recuperação não depende apenas de força de vontade.
O papel da terapia
A Terapia Cognitivo-Comportamental e do Esquema pode ajudar a compreender os pensamentos que sustentam a dor, trabalhar a desesperança e construir um plano de segurança. Em muitos casos, o cuidado inclui acompanhamento psiquiátrico e rede de apoio.
Pedir ajuda não é desistir. É escolher continuar com apoio.