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Borderline

Borderline em homens: um diagnóstico que costuma passar despercebido

O borderline não é um transtorno só de mulheres. Em homens, ele pode aparecer como raiva, substâncias e impulsividade, e ser confundido.

Por Bianca Auer · · 7 min de leitura

Borderline em homens: um diagnóstico que costuma passar despercebido

Durante muito tempo, o borderline foi descrito como um transtorno predominantemente feminino. A literatura atual mostra que ele ocorre em homens também, mas o reconhecimento costuma ser menor. Isso não significa que o quadro seja diferente na essência: significa que a forma de pedir ajuda e de expressar sofrimento pode ser diferente.

Em muitos homens, o sofrimento emocional não aparece como choro ou pedido de colo. Aparece como raiva, irritação, uso de substâncias, comportamento impulsivo, isolamento ou explosões. Quem olha de fora vê “problema de temperamento”. Quem sente por dentro pode estar tentando regular uma dor que não sabe nomear.

Por que o diagnóstico demora

Estereótipos influenciam a avaliação. Profissionais também podem associar borderline a mulheres e interpretar os mesmos sinais em homens como transtorno de conduta, abuso de substâncias ou “dificuldade de controle da raiva”. A pressão social para que homens não demonstrem vulnerabilidade também atrasa a busca por ajuda.

Além disso, homens podem procurar menos psicoterapia e chegar ao atendimento em crise, quando o quadro já causou prejuízos maiores.

Sinais que merecem atenção

- medo intenso de abandono, muitas vezes escondido atrás de afastamento;
- relações intensas e instáveis;
- explosões de raiva desproporcionais;
- impulsividade com dinheiro, sexo, direção ou substâncias;
- sensação de vazio e tédio crônico;
- autolesão ou comportamento de risco;
- dificuldade de pedir ajuda e de nomear emoções;
- oscilação rápida de humor ligada a relações.

Nenhum sinal isolado confirma borderline. O diagnóstico é clínico e considera a história, o sofrimento e o prejuízo.

Responsabilidade e cuidado

Ter borderline não justifica violência, controle ou abuso. A pessoa continua responsável pelos próprios atos. Ao mesmo tempo, o sofrimento que leva a esses comportamentos precisa ser tratado, não ignorado.

O que ajuda

A psicoterapia é o centro do tratamento. DBT, Terapia do Esquema e TCC podem ajudar. A medicação pode ser útil para sintomas associados, sempre com avaliação psiquiátrica.

Também ajuda construir uma rede de apoio que não trate vulnerabilidade masculina como fraqueza. Amigos, familiares e grupos podem ser parte da recuperação.

Se você é homem e se reconhece nesses padrões, procure ajuda. Em crise, ligue para o CVV no 188 ou para o SAMU no 192. Pedir ajuda não diminui ninguém.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a avaliação de um profissional. Se você está passando por um momento difícil, procure atendimento.

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