Autismo em mulheres: por que o diagnóstico demora mais
Mulheres autistas costumam ser diagnosticadas mais tarde por mascararem mais e serem interpretadas de outra forma. Entenda o que muda.
Durante muito tempo, o autismo foi estudado principalmente em meninos. Isso ajudou a construir um retrato incompleto do que é o espectro e fez com que muitas mulheres chegassem à vida adulta sem reconhecimento.
Mulheres autistas podem ser vistas como tímidas, sensíveis, intensas ou “difíceis”. Podem receber diagnósticos de ansiedade, depressão, transtorno alimentar ou transtorno de personalidade antes de alguém considerar o autismo.
Por que o diagnóstico demora
- maior tendência a mascarar e imitar comportamentos sociais;
- interesses intensos que podem parecer “socialmente aceitáveis”;
- maior habilidade de manter contato visual e conversa superficial;
- sintomas internalizados, como ansiedade e exaustão;
- estereótipos de gênero que influenciam a avaliação;
- falta de profissionais treinados para o fenótipo feminino.
O custo de se adaptar
Muitas mulheres aprendem cedo a observar, ensaiar e esconder. O resultado pode ser uma vida social aparentemente funcional, mas com um cansaço enorme depois dos encontros.
O mascaramento pode levar a burnout, crises de ansiedade, sensação de falsidade e dificuldade de saber o que é desejo próprio e o que é expectativa dos outros.
Nem toda mulher autista é igual
Não existe um “autismo feminino” único. O que existe é uma maior frequência de certas apresentações e de mascaramento. Generalizações podem atrapalhar tanto quanto os estereótipos antigos.
O que ajuda
- buscar avaliação com profissional que conheça autismo em adultos;
- levar relatos da infância e, quando possível, de familiares;
- não se cobrar para ter um diagnóstico “clássico”;
- trabalhar autoconhecimento e limites;
- cuidar do burnout e da ansiedade;
- encontrar apoio em comunidades de mulheres autistas.
Terapia
A Terapia Cognitivo-Comportamental e do Esquema pode ajudar a reconhecer padrões de mascaramento, trabalhar a autocrítica e construir relações mais seguras. O objetivo não é tornar a pessoa mais “neurotípica”, mas ampliar possibilidades de cuidado.
Se você se reconhece nessa história, não precisa se encaixar em um estereótipo para merecer avaliação e acolhimento.